Contextualização Histórica

Sem se ter elaborado uma pesquisa documental exaustiva e recolhendo o testemunho de alguns familiares, constatou-se que por volta do Seculo XIX, os terrenos da Cruzinha começaram a ser divididos pelos herdeiros da família Macieira. Parte dos terrenos ficaram na posse com o Sr. António Augusto Macieira, que no primeiro quarto do século passado, retalhou ainda mais a Quinta da Cruzinha em várias parcelas que dividiu por três dos seus filhos, sendo um deles o Sr. Carlos Augusto Macieira (nascido a 5 de outubro de 1910).

Carlos Augusto Macieira vendia as uvas com “beneficio” para Vinho do Porto às empresas Cockburn’s e Sandeman e com as uvas excedentárias fazia vinho de lavrador que vendia durante o ano na TABERNA de que era proprietário nas Mós.

Em 1977, o Sr. Martinho José de Castro, genro de Carlos Augusto Macieira, casado com sua filha Maria Rosalina Macieira, sonha com a unificação da Quinta da Cruzinha, mas infelizmente não chega a concretizar o seu sonho por falecimento num acidente de viação em 1984.

É o seu filho, Carlos António Macieira de Castro, neto de Carlos Augusto Macieira e bisneto de António Augusto Macieira, que em 1986 inicia o sonho de reunificação das parcelas da Cruzinha no âmbito de um Projeto de Jovem Agricultor.

Em 1989 e 1990 são plantadas novas vinhas com as castas tradicionais do Douro.

Os 20 anos que se seguem são muito penosos e ruinosos, ficando a maior parte dos terrenos ao abandono e subsistindo apenas a vinha que tinha “beneficio” para Vinho do Porto.

Com o excedentário das uvas, em 2007 é elaborado o primeiro Vinho de Produtor, cujas uvas foram vinificadas na Adega Rural dos irmãos Vitor e Manuel Timoteo em Aguim. O mesmo se verificou em 2008.

A partir do ano de 2009 até à presente data, o vinho resultante das uvas excedentárias do “beneficio”, passou a ser produzido na pequena adega da Qtª da Cruzinha.

Em 2007, 2008, 2012 e 2014 procedeu-se à replantação de algumas parcelas de vinha com talhões a dividir por castas.

Devido à escassez de mão-de-obra, apenas se apanhava a quantidade de azeitona necessária para produzir o Azeite suficiente para o consumo anual da casa. A partir de 2010, com a ajuda de familiares e amigos aumentou-se a capacidade produtiva de azeite, cujo excedente também começou a ser comercializado.

O mesmo se verifica em relação à azeitona de conserva, aos figo e à amêndoa que só são apanhadas as quantidades necessárias para consumo anual da casa.

Em final de 2015, as filhas de Carlos António Macieira de Castro, Ana Carlos Tavares de Castro e Patrícia Tavares de Castro, juntamente com sua esposa Ana Paula F. C. Tavares de Castro, decidem criar a empresa agrícola Douro Cruzinha Valley, cujo início de atividade se deu em 2016.

Deste modo, fruto de uma herança de família, a empresa irá desenvolver-se a partir de escassas instalações e de algumas vinhas antigas e outras novas, mas com muito amor à tradição e com um importante bem, a “terra”, ou utilizando a gíria vitivinícola, o “terroir”, que mais que um simples galicismo, é um termo mais exato, que significa um conjunto de condições geográficas, meteorológicas, fisiológicas e até culturais que influenciam favoravelmente o desenvolvimento da vinha.

Ora, a qualidade do solo e as condições favoráveis que se encontram no Douro Superior para a produção de vinho, uma região histórica na produção vitícola nacional e mundial, para além da tradição que anteriormente existia de produção de vinhos na propriedade, levaram à escolha deste negócio como o core business da nova empresa, juntamente com a produção de Azeitona de Conserva, Azeite, Amêndoa, Figos e outros produtos derivados destes.